Produtores rurais de ramais vicinais comercializam hortaliças colhidas no mesmo dia, maxixe, polpas e tubérculos sem agrotóxicos, eliminando atravessadores na orla da cidade.
Curralinho - PA (22 de agosto de 2026) — A orla fluvial de Curralinho amanheceu repleta de aromas, cores e intensa movimentação popular com a realização de mais uma edição da Feira Agroecológica da Agricultura Familiar. O evento reuniu produtores rurais de comunidades ribeirinhas e dos ramais vicinais do município, disponibilizando bancadas repletas de produtos cultivados de forma sustentável para abastecer as mesas das donas de casa e as cozinhas de restaurantes e lanchonetes locais.
Agricultura familiar no Marajó: Incentivo à produção e feiras de produtores
Reportagem da Marajó TV destaca as iniciativas de apoio ao homem do campo e o fortalecimento do escoamento agrícola.
Canteiros suspensos e cultivo 100% orgânico no interior
Conforme destacado na programação jornalística da Marajó TV, a agricultura marajoara possui particularidades impostas pela geografia das várzeas e igarapés. Para proteger as hortaliças das oscilações de maré e do excesso de umidade no solo, os pequenos agricultores de Curralinho utilizam canteiros suspensos de madeira, cobertos com palhas de palmeiras nativas para amenizar a forte insolação equatorial.
O manejo dispensa completamente o uso de defensivos químicos ou adubos sintéticos. A fertilidade das plantas é garantida por meio de compostagem orgânica com esterco curtido, cascas de frutos da floresta e cinzas vegetais, assegurando alimentos saudáveis com sabor autêntico. Nas barracas montadas ao longo da orla, os consumidores encontraram maços fartos de cheiro-verde fresco (coentro e cebolinha), chicória paraense, couve, maxixe, quiabo, pimentas-de-cheiro e tubérculos como macaxeira e cará.
Venda direta: preço justo para quem planta e quem compra
A consolidação da feira livre na beira do rio representa uma conquista estratégica para a economia das famílias do campo. Historicamente, a dependência de atravessadores reduzia drasticamente o lucro dos produtores, que precisavam repassar seus produtos por valores irrisórios nos portos.
Com a comercialização direta ao consumidor final na orla, o trabalhador rural recebe integralmente pelo seu esforço, enquanto a população urbana tem acesso a mercadorias frescas com preços sensivelmente inferiores aos praticados nos supermercados convencionais. Além das verduras e legumes, a feira ofertou polpas congeladas de frutas nativas da época — como cupuaçu, bacuri, muruci e taperebá —, farinha d'água artesanal e galinhas caipiras criadas soltas no interior.
Apoio logístico e calendário quinzenal garantido
Para viabilizar a presença dos feirantes, a Secretaria Municipal de Agricultura disponibilizou apoio no frete e na logística de transporte das cargas, auxiliando os agricultores no trajeto fluvial de rabetas e no deslocamento rodoviário pelas estradas de terra até o centro da cidade.
A gestão municipal confirmou que a Feira Agroecológica manterá periodicidade quinzenal aos sábados, incentivando a segurança alimentar, fortalecendo a economia circular marajoara e valorizando a dedicação dos homens e mulheres que tiram da terra o sustento de Curralinho.
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